Há muito tempo e longe daqui era possível ver diante de flores o parto mágico de uma fada. Havia sempre entre milhares e milhares, um botão de flor tão belo que encantava. E então – diziam - não haveria dúvidas de que dali nasceria uma fada.
E o belíssimo espetáculo raramente acontecia, pois entranhada dentro da terra, sob forma de magia, brotos de fadas adormeciam, e só então, uma vez ou outra, cautelosamente e pacientemente, subiam aos troncos verdes das mais belas flores. E a essência mágica, junto à ciência floral, incubava-as, ainda fetos.
E de lá – diziam – nasceria uma fada.
E certa vez de forma tão rara que jamais se repetirá nesse ou em outro universo, entre pervincas plantadas sobre um solo de guerras cujas emoções iam do amor ao terrível sofrimento pairava o mais belo broto. Dali, quem conhecesse a química do nascimento das fadas, diriam, nasceria a mais bela fada.
Na primeira madrugada ao final do inverno nascera lentamente o pequeno botão da flor, desabrochava-se então na imensidão de uma aurora. E nascera a mais bela de todas as voadoras.
Como toda recém nascida fada, essa também voara instintivamente ao norte distante em busca de algo que não ainda não compreendia. Os olhinhos ainda fechados eram guiados pela mágica que atraía a fada àquele incógnito lugar. E se fora, então, para sempre sem nenhum apego ao lugar de seu parto, a minúscula fada, deixando para trás os campos de pervincas e a mais bela flor do mundo.
O pontinho de luz – tão minúsculo que se confundia com o brilho do olhar – depois de muito voar chegava aonde fora guiado. E sobre a primeira luz da manhã abria seus minúsculos olhinhos mágicos que se deparavam com a mais bela visão – a primeira visão desde o seu despertar: O reino das fadas.
Domingo, Fevereiro 17, 2008
O nascimento das fadas.
Postado por Tarcísio às 11:45 AM
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