Domingo, Março 26, 2006

Número

O número que você ligou está fora de área ou desligado.

Domingo, Março 19, 2006

Carta

Fortaleza, 18 de março de 2006.

Mero desconhecido,

Convivi com você durante certo tempo. Dividimos os mesmo materiais inúteis, as mesmas palavras complicas, as mesmas fórmulas matemáticas... Desperdicei contigo uma eternidade de segundos.
Confesso quando digo: Apenas sei seu nome. Ou talvez nem isso, para fazê-lo lembrar da importância de você para minha vida, perdoe-me.
Hoje esbarrei com você. Você muito mudou - ou seria eu que nunca havia reparado nesses olhos estranhos? Não. Não seria justo confessar que mesmo o seu rosto esqueci. Pobre de mim!
Voltando ao caso... Hoje te reconheci. E acredito que você também, pois usou metade de um segundo no meu olhar (provavelmente registrando a minha inesperada presença).
E apesar de nossa pacífica convivência nem mesmo aquele olhar comprimentador trocamos. Provando que tanto para você, quanto para mim, somos meros desconhecidos.
Mas no fundo sabemos que não. Nos recusamos a admitir isso para não parecer um fato verídito, inquestionável. Motivo: Os mais variados.
A única verdade disso tudo é que lhe digo: passei pela sua vida e pouco ou nada alí semeei. Somos o que somos, meros desconhecidos.

Tarcísio BMF

Universidade...

Universidade
Universo à parte

Quarta-feira, Março 15, 2006

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundíssimamente hipocondríaco,
Êste ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Augusto dos Anjos

Desde de pequeno fui educado á pensar que a felicidade e a sorte eram corretoras de imóveis que batiam apenas uma única vez em cada porta. Mas isso não é verdade, pois nessas últimas semanas essas duas senhoras de idade, tornaram-se velhas amigas e, agora, visitam-me todos os dias. Em nossas conversas de final-de-tarde estou descobrindo a grande maravilha que é viver e acreditar na vida. Pois viver, por simplesmente viver, não significa nada - apenas uma arriscada sobrivência. O importante mesmo é realmente acreditar, deixar as coisas acontecerem do jeito mais positivo. Do que adianta ser um velho casmurro? Estou descobrindo que o passado deve permanecer no passado - passou, aprendi e virei a páginas. O 'agora' é que importa. Sou um fruto da humanidade e tenho pouco tempo para mostrar o meu valor. Certo dia, percebi que apesar de minha juventude as rugas do tempo psicológico já estavam se manifestando em mim. O fato me fez pensar se realmente valeria a pena lutar por tão pouco. A vida passa tão rápida como o automóvel de Drummond e o que mais quero é um dia acordar antes do sol e perceber que tudo, absolutamente tudo, valeu o custo.